sábado, 13 de setembro de 2008

caos.


A impermanência das coisas faz com que elas durem mais tempo. Não estou mais em mim. Ou agora pela primeira vez, estou em mim. Pela primeira vez. E não me importa mesmo. Cansei disso tudo. Na verdade não sei para onde vou. Talvez eu não seja um bom lugar, como diz a música. Talvez aqui já não seja meu lugar. E este papel que querem que eu represente, eu recuso hoje consciente do que faço. Eu não sou a boa filha. A boa menina. Meninas boazinhas vão pro céu. Garotas más vão a luta. [Chavão] e eu vou para o inferno. Mas não existe inferno. Aqui é o inferno. Já estou nele. É isso. Mas eu não pedi para estar aqui. Nunca faço nada. E não fazer é um fazer também. Ao contrário. É uma escolha também.
Foda-se tudo, enfim. Eu não estou mais em mim. Perdi-me nesta coisa de ser e não ser. Quem se importa. Estou virando a mesa, pois cansei de aceitar tudo como é. Pra que? Que ganhei com isso tanto tempo? A dúvida é o preço da inocência, não? Eu escrevo por escrevo. E escrever não tem nenhum sentido em si. É apenas escrever... E o mundo gira, e o tempo passa. As pessoas morrem. Eu mato as pessoas. Elas se matam. Essa nossa matança diária. Quantas pessoas você já matou hoje? Quantas pessoas mataram você? Comum. Acabou.
Estou triste. Com raiva. Infeliz. Tudo isso faz parte de mim. E eu acho que eu nunca vi. Vou atirar uma bomba ao destino. Nem existe destino. Então, foda-se. Estou falando palavrões para limpar a alma. Alguém puxe a descarga. Quanta merda. Eu não consigo mais articular as frases. Mas quem se importa? É o silêncio de uma lápide que ninguém lê. E o que eu penso, vários pensaram antes de mim. Pode perceber. Eu apenas repito, pois tudo que havia para ser dito, foi dito. E tudo que havia para ser escrito, foi escrito. Então, acabou. E o fim é um começo as avessas. Sabe-se lá o que pode acontecer. Quem sabe, amanhã. Até mais, então. Até logo. Até daqui a pouco. Até nunca mais. Adeus. Volte sempre.

Um comentário:

Jean Errado disse...

"Viva de maneira que sua presença
não seja notada, mas que sua ausência seja sentida."
(Padre Mustafa)

muito show o quadro!